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A ONU Mulheres é a organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.

Brasil

Empresas brasileiras discutem desafios e oportunidades para mulheres no mercado de trabalho em evento da ONU Mulheres, em Nova Iorque



29.04.2019


Grupo brasileiro foi formado por executivas e executivos diversas companhias e compartilhou experiência de empresas com políticas de igualdade de gênero durante os Fóruns dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) e WeEmpower/Ganha-Ganha, voltados a profissionais de negócios

 

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Comitiva brasileira foi formada por 20 pessoas de empresas e instituições

 

Representantes de empresas brasileiras e profissionais engajados e engajadas com a igualdade de gênero estiveram, em março, em Nova Iorque para participar de palestras, encontros e debates promovidos pela ONU Mulheres e pelo Pacto Global das Nações Unidas na Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW), maior fórum intergovernamental sobre igualdade de gênero no mundo. A delegação tinha como foco a participação no Fórum dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (Women’s Empowerment Principles, WEPs, na sigla em inglês), em 14 de março, e o Fórum WeEmpower/WinWin, em 15 de março – ambos voltados à igualdade de gênero nos negócios e parte integrante da grade de programação da CSW63.

Acompanhada por integrante da equipe de ONU Mulheres Brasil, a comitiva brasileira foi formada por 20 pessoas de empresas e instituições como Banco do Brasil, BRK Ambiental, Grupo Cene (medicina do trabalho), CKZ Eventos, Demarest, Fundação Getúlio Vargas (FGV), Furnas, Levoo (franquia do McDonald’s para o centro-oeste do Brasil), Petrobrás Distribuidora, Talenses, Rede Mulher Empreendedora e Comitê Permanente de Gênero, Raça e Diversidade do Ministério de Minas e Energia e Entidades Vinculadas (COAGE/CGRL/SPOA/MME). Entre os brasileiros que apresentaram painéis ou protagonizaram mesas de discussão estavam Carlos André, diretor-presidente da gestora de recursos do Banco do Brasil, a BB DTVM; Patrícia Molina, sócia-líder de Pessoas e Mudanças e líder do Comitê de Inclusão e Diversidade da KPMG no Brasil; Teresa Vernaglia, presidente da BRK Ambiental. O americano Jacob Ronsembloom, empreendedor no Brasil com a Levve/Emprego Ligado também conduziu um dos debates.

Esse foi o maior grupo brasileiro já presente na CSW, que já conta 63 edições, e também um dos maiores grupos de país em todo o evento neste ano. Todas as empresas que integraram o grupo brasileiro são signatárias dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (Women’s Empowerment Principles, WEPs na sigla em inglês), plataforma orientadora (com sete princípios) que estabelece metas para fazer avançar em políticas pela igualdade de gênero. “A participação brasileira na CSW mostra que, apesar de tudo que ainda precisamos conquistar em relação à equidade de gênero e ao empoderamento das mulheres, há, felizmente, uma compreensão cada vez maior por parte das empresas e das pessoas de negócios sobre suas responsabilidades em relação à essa agenda”, diz Adriana Carvalho, gerente da ONU Mulheres Brasil para os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) e líder da comitiva.

Para Rodrigo Vianna, sócio da Talenses Group, é preciso agir na direção da igualdade e promover mudanças nas empresas. “Nós precisamos de ações consistentes para que alguma mudança aconteça em prol de uma sociedade mais igualitária. Participar desses debates é fundamental, sobretudo, para uma empresa como a nossa, focada em recrutamento, que assessora grandes empresas na seleção e contratação de profissionais”, afirmou.

Garantir oportunidades iguais no trabalho, nos negócios, promovendo ações que permitam às meninas e mulheres desenvolver todas as suas potencialidades é um dos pontos centrais da agenda da ONU Mulheres, que entende a independência financeira das mulheres como um dos caminhos viáveis para seu empoderamento.

 

Fórum dos Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) – Realizado na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, em 14 de março, o Fórum WEPs tratou diferentes temáticas para destacar a importância das empresas, investidoras e investidores na promoção da igualdade de gênero, abordando como os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs) têm contribuído para esse processo da adesão ao trabalho de continuidade de implementação dos planos de trabalho baseados no diagnóstico de cada empresa sobre as transformações necessárias voltadas a equidade de oportunidades e eliminação de discriminação.

 

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Fórum WEPs tratou diferentes temáticas para destacar a importância das empresas, investidoras e investidores na promoção da igualdade de gênero

 

Boa parte das discussões foi permeada pelo tema “futuro do trabalho” – e como as novas tecnologias estão transformando os empregos, quais os desafios e oportunidades para as mulheres e, sobretudo, a necessidade urgente de incentivar meninas a estudar e atuar em carreiras de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, da sigla em inglês) – áreas que terão as principais oportunidades de trabalho no futuro.

A ONU Mulheres também aproveitou o momento para lançar um estudo inédito sobre assédio sexual, com um retrato de como a prática, resultado de desiquilíbrio histórico nas relações de gênero, ainda é uma realidade e obstáculo concreto para o desenvolvimento profissional das mulheres. O estudo Towards an end to sexual harassment: The urgency and nature of change in the era of #MeToo (tradução livre: Para o fim do assédio sexual: a urgência e a natureza da mudança na era do #MeToo) oferece novas orientações sobre políticas e maneiras de combater o assédio sexual nas empresas.

“Foi particularmente importante para mim poder palestrar e mediar o painel sobre assédio sexual junto a Purna Sen (responsável pelo estudo). A CSW tratou de temas super atuais e importantes para o empoderamento feminino”, avaliou Patrícia Molino, sócia-líder de Pessoas e Mudanças e Líder do Comitê de Inclusão e Diversidade da KPMG no Brasil.

Em uma ação para alertar a comunidade investidora em geral, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apresentou seu estudo “Investimento com foco em gênero: como as finanças podem acelerar a igualdade na América Latina e no Caribe”. Primeira pesquisa detalhada sobre oportunidades de investimento para aumentar a igualdade de gênero na região por meio do setor privado, o trabalho mostra por que priorizar investimentos em empresas lideradas por mulheres ou engajadas na questão de gênero é tão importante.

No Brasil, ação pioneira nesse sentido foi feita pela BB DTVM, gestora de fundos do Banco do Brasil, que desde setembro mantém em seu portfólio o BB Ações Equidade e o BB Ações Equidade Private, contemplando ativos de companhias nacionais e estrangeiras negociadas na B3 e que assumam publicamente o compromisso de buscar a equidade entre homens e mulheres. “O BB tem mais de 200 anos e nos últimos 10, a causa da equidade de gênero ressoou com mais força na organização. Pensamos: por que não fazer da Equidade um negócio? O nosso negócio é gestão de fundos e concluímos que esse poderia ser o melhor caminho para a nossa equipe se engajar na causa; entregar a mensagem aos nossos clientes, investidores e às companhias em que investimos; além de entregar bons resultados”, diz Carlos André, diretor presidente da BB DTVM.

Fórum WeEmpower e Win-Win – O dia 15 de março foi marcado pelo Fórum WeEmpower e Win-Win (“Nós Empoderamos” e “Ganha-Ganha”), que reuniu empresas do Brasil, América Latina, Caribe e Europa participantes dos dois programas. Criado no final do ano passado, o programa regional Ganha-Ganha: Igualdade de gênero significa bons negócios visa promover o intercâmbio entre empresárias e empreendedoras latino-americanas e europeias, fortalecer associações e cooperativas femininas e, sobretudo, aumentar o número de empresas signatárias dos Princípios de Empoderamento das Mulheres no Brasil e também Argentina, Chile, Uruguai, Costa Rica e Jamaica, investindo também no desenvolvimento de ferramentas de auto-diagnóstico, para fortalecer a implementação e para reconhecer boas práticas das empresas, sempre em diálogo com empresas europeias. O WeEmpower é o projeto-irmão, tem características similares, mas é destinado aos países do G7. Ambos os programas são coordenados pela ONU Mulheres, em parceria com Organização Internacional do Trabalho (OIT) e União Europeia.

 

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Fórum WeEmpower e Win-Win (“Nós Empoderamos” e “Ganha-Ganha”), que reuniu empresas do Brasil, América Latina, Caribe e Europa

 

Esta foi a primeira vez que os programas reuniram participantes, responsáveis e empresas envolvidas para discutir ações já realizadas e o que pode ser feito daqui para frente.

Em formato de debate, o Fórum teve participação ativa de três brasileiros – além daqueles que compunham a plateia. Jacob Rosembloom, fundador da Levee, empresa brasileira de inteligência artificial, mostrou como seu aplicativo, o Emprego Ligado, utiliza algaritmos para diminuir processos manuais das seleções, neutralizando assim vieses inconscientes do recrutador ou recrutadora. Teresa Vernaglia, presidente da BRK Ambiental, levou um estudo exclusivo sobre como a falta de saneamento prejudica as populações e, em especial, as mulheres.

Mulheres do Café – Um dos destaques do Fórum WeEmpower e Win-Win o lançamento do livro “Mulheres do Café no Brasil”, que retrata histórias de superação de mulheres ligadas ao plantio da commodity. Em uma grande ação, o programa Ganha-Ganha, em articulação com Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA, da sigla em inglês) e apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), promoveu a troca de experiências entre as produtoras, acesso à informações e conhecimento técnico e também ao mercado internacional.

ONU Mulheres – A ONU Mulheres foi criada, em 2010, para unir, fortalecer e ampliar os esforços mundiais em defesa dos direitos humanos das mulheres. Alcançar a igualdade de gênero, empoderar todas as mulheres e meninas e realizar os seus direitos humanos é a missão incorporada pela ONU Mulheres em relação à Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável e aos 17 objetivos globais. Como contribuição à Agenda 2030, a ONU Mulheres está promovendo a iniciativa global “Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”, a fim de acelerar e concretizar os compromissos de governos, empresas, sociedade civil e outros setores, para a eliminação das desigualdades de gênero. Saiba mais: onumulheres.org.br