Sete em cada dez defensoras de direitos humanos, ativistas e jornalistas relatam violência online
09.12.2025
A violência online está transbordando para o offline, quatro em cada dez mulheres entrevistadas também relataram ataques presenciais vinculados ao abuso digital
Genebra, 9 de dezembro de 2025, A violência online contra defensoras de direitos humanos, ativistas e jornalistas atingiu um ponto crítico, muitas vezes alimentando ataques presenciais, segundo um novo relatório divulgado hoje. O documento foi produzido pela Comissão Europeia e pelo programa ACT to End Violence against Women da ONU Mulheres, em parceria com pesquisadoras e pesquisadores da TheNerve, City St George’s, University of London e do International Center for Journalists, com colaboração da UNESCO. Sem contramedidas fortes, a violência online corre o risco de expulsar mulheres dos espaços digitais, enfraquecendo a democracia e a liberdade de expressão.
O relatório “Ponto de ruptura, a escalada alarmante da violência contra mulheres na esfera pública”, mostra que 70% das mulheres entrevistadas já enfrentaram violência online no exercício de seu trabalho. Além disso, 41% das respondentes relataram ter sofrido danos offline vinculados ao abuso online.
Para mulheres jornalistas, a ligação entre abuso digital e danos presenciais tornou-se ainda mais preocupante. Em uma pesquisa global de 2020 publicada pela UNESCO, 20% das jornalistas associaram ataques ou abusos offline à violência online. Na nova pesquisa de 2025, conduzida pelos mesmos pesquisadores e apresentada neste relatório, essa proporção mais que dobrou, chegando a 42%.
“Esses números confirmam que a violência digital não é virtual, é violência real com consequências reais”, afirmou Sarah Hendricks, Diretora da Divisão de Políticas, Programas e Assuntos Intergovernamentais da ONU Mulheres. “Mulheres que defendem nossos direitos humanos, reportam notícias ou lideram movimentos sociais estão sendo alvo de abusos projetados para envergonhar, silenciar e afastá-las do debate público. Cada vez mais, esses ataques não ficam na tela, eles chegam às portas dessas mulheres. Não podemos permitir que os espaços digitais se tornem plataformas de intimidação que silenciam mulheres e enfraquecem a democracia.”
“Esses dados mostram que, na era dos abusos potencializados por IA e do autoritarismo crescente, a violência online contra mulheres na esfera pública está aumentando. Mas o que é realmente alarmante é a evidência de que a experiência de danos offline associados à violência online entre mulheres jornalistas mais que dobrou desde 2020, com 42% das participantes da pesquisa de 2025 apontando essa trajetória perigosa e potencialmente fatal”, disse a professora Julie Posetti, pesquisadora principal e diretora da Information Integrity Initiative da TheNerve.
O relatório também revela que quase uma em cada quatro defensoras de direitos humanos, ativistas e jornalistas entrevistadas já sofreu violência online assistida por IA, como imagens deepfake e conteúdos manipulados. Escritoras e comunicadoras públicas (como criadoras de conteúdo para redes sociais e influenciadoras) que abordam temas de direitos humanos enfrentam a maior exposição, atingindo 30%.
A divulgação do relatório coincide com o encerramento da campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A campanha deste ano é dedicada à conscientização sobre violência digital, com apelos por leis e políticas mais robustas que reconheçam a violência facilitada pela tecnologia como violação de direitos humanos; regulamentação firme e mecanismos de responsabilização para empresas de tecnologia; protocolos de segurança e sistemas de apoio para defensoras de direitos humanos, ativistas e jornalistas; e investimentos em pesquisa e dados para monitorar tendências, entender impactos interseccionais e orientar políticas e práticas baseadas em evidências.
A ONU Mulheres encerrará os 21 Dias de Ativismo com uma estratégia institucional para prevenir e responder à violência contra mulheres facilitada por tecnologia, com foco em fortalecer a responsabilização, reduzir lacunas de evidências e dados, acelerar a prevenção e respostas centradas nas sobreviventes, além de ampliar a resiliência e as vozes dos movimentos de direitos das mulheres e de lideranças femininas.
Para entrevistas, entre em contato com a equipe de mídia da ONU Mulheres em imprensa.br@unwomen.org
Sobre o ACT
O programa Advocacy, Coalition Building and Transformative Feminist Action (ACT) é um compromisso inovador entre a Comissão Europeia e a ONU Mulheres, como co-líderes da Coalizão de Ação sobre Violência de Gênero, em colaboração com o Fundo Fiduciário da ONU pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A agenda compartilhada de advocacy do ACT eleva prioridades e amplia as vozes dos movimentos feministas de direitos das mulheres, oferecendo um marco colaborativo focado em prioridades, estratégias e ações comuns.
Sobre a ONU Mulheres
A ONU Mulheres existe para promover os direitos das mulheres, a igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas. Como a entidade líder da ONU para igualdade de gênero, atuamos para transformar leis, instituições, comportamentos sociais e serviços, reduzindo a desigualdade e construindo um mundo igualitário para todas as mulheres e meninas. Mantemos os direitos das mulheres e meninas no centro do progresso global, sempre, em todos os lugares. Porque igualdade de gênero não é apenas o que fazemos, é quem somos.
Sobre a Information Integrity Initiative
A Information Integrity Initiative é um novo projeto da TheNerve, o laboratório de perícia digital fundado pela laureada com o Prêmio Nobel Maria Ressa. A iniciativa desenvolve pesquisa orientada à ação na interseção entre gênero, desinformação, liberdade de expressão e mídia de interesse público.
