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A ONU Mulheres é a organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.

Brasil

“É preciso assegurar apoio a grupos de base e em ações de auxílio direto”, diz assessora da sociedade civil da ONU Mulheres sobre resposta à crise da Covid-19



28.04.2021


Para Mônica Oliveira,  membra do Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres e do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030,  ONU Mulheres tem extensa trajetória de apoio ao movimento de mulheres negras no Brasil e esse apoio tem sido estratégico em nível nacional, regional e mundial 

 

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Mônica Oliveira colabora com a ONU Mulheres Brasil como membra do Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres e do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030
Foto: Cortesia de Mônica Oliveira

 

“A militância é o meu projeto de vida. Num momento como esse, da pandemia, me sinto honrada em poder ajudar e apoiar mulheres negras na defesa de seus direitos e pela sustentação de suas famílias. A luta contra o racismo sempre vale a pena”, orgulha-se Mônica Oliveira. 

Nascida em Brasília Teimosa, bairro de Recife conhecido pelo intenso histórico de mobilização política e resistência, Mônica Oliveira herdou do local de nascimento a força que impulsiona ao seu ativismo. À frente da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e do Fórum de Mulheres de Pernambuco, Mônica é assessora parlamentar e membra do Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres e do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 

Como membra do Comitê Mulheres Negras,  Mônica Oliveira observa que as mulheres negras em muitas situações são as principais lideranças em suas comunidades. “Num contexto como esse da pandemia, são as mulheres que buscam transformar pequenos ativos em grandes iniciativas, especialmente a partir da solidariedade e da capacidade de articulação”, analisa a ativista, que acredita que o enfrentamento de grandes crises, como a causada pela Covid-19, deve ocorrer com diferentes formas de apoio. É preciso assegurar apoio a grupos de base e em auxílio direto 

Pela sua atuação contra o racismo e pelo empoderamento das mulheres, ela se destaca como uma das ativistasengajadas no enfrentamento às crises sanitária e social ocorrida em decorrência da pandemia de Covid-19 no Brasil há um ano. “É preciso assegurar apoio especialmente em duas frentes: manutenção e fortalecimento de grupos de base, que atuam diretamente em seus territórios, e em ações de auxílio direto. A ONU Mulheres tem uma extensa trajetória de apoio ao movimento de mulheres negras no Brasil e esse apoio tem sido estratégico em nível nacional, regional e mundial”, pontua Mônica. 

Mulheres em rede Desde o primeiro semestre de 2020, a articulação da Rede de Mulheres Negras em Pernambuco tem atuado diretamente no enfrentamento às consequências sociais e sanitárias da pandemia de Covid-19. De acordo com Mônica Oliveira, quando a Rede tomou consciência da gravidade da crise, imediatamente começou a fazer uma movimentação intensa para acessar mulheres que estavam passando por dificuldades com suas famílias, atuando no desenvolvimento de projetos para adquirir fundos e ajudar na compra de cestas básicas, itens de higiene e de limpeza. Responsável pela coordenação de finanças da Rede, Mônica calcula ter escrito 12 projetos em um único mês para articular doações que pudessem frear os efeitos da pandemia nos lares das mulheres acolhidas pela organização. Os projetos foram escritos em conjunto com ativistas mais jovens para encorajá-las a conquistar mais recursos para as futuras ações da iniciativa.  

Entre os meses de maio a outubro de 2020, a Rede distribuiu diretamente ou colaborou com a distribuição de cerca de mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza, atendendo a 17 comunidades. Entre as ações de incidência política está o envio de uma carta endereçada ao governador de Pernambuco, apresentando a análise do grupo sobre a situação da pandemia no estado e as demandas da população negra no que tange à Covid-19. 

Juntas, as mulheres da Rede se articularam ainda para a divulgação de informativos publicados nas redes sociais com temas que convidam as mulheres negras compreender a relação entre racismo e saúde pública. A união gerou ainda a produção do podcast especial Mulheres Negras e COVID-19, em parceria com a Casa da Mulher do Nordeste, Centro das Mulheres do Cabo, Movimento de Trabalhadoras Rurais do Nordeste, Rede de Mulheres Negras do Nordeste e Fundo de Mulheres Del Sur. 

Em parceria com ativistas mais jovens, a Rede de Mulheres Negras em Pernambuco colocou nas ruas as chamadas anuncicletas”, bicicletas equipadas com caixas de som que replicavam áudios de mulheres que são lideranças em suas comunidades, alertando a população a respeito das medidas de prevenção ao coronavírus em linguagem direta e acessível, com auxílio de ritmos que envolvem a população mais jovem, como o brega funk.    

Trajetória ativista Desde os 15 anos, Mônica está na militância social, alcançando quase quatro décadas de trabalho. Sua articulação iniciou na igreja e no conselho de moradores do Alto Santa Terezinha, bairro localizado na Zona Norte do Recife, capital do estado de Pernambuco. A partir dos 17 anos, quando ingressou no curso de Comunicação Social e tornou-se a primeira integrante de sua família a frequentar uma universidade, Mônica deu início à sua trajetória no movimento negro brasileiro, fazendo parte do Movimento Negro Unificado (MNU) e do Observatório Negro do Recife. 

Seguindo os passos de Martha Rosa Queiroz, Luiza Bairros, Sueli Carneiro e Inaldete Pinheiro, mulheres negras que carrega como principais referências, Mônica foi oficial de Programas de Oxfam Grã-Bretanha, atuando na incorporação da perspectiva racial no Programa Urbano do Brasil, e diretora de Programas da Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) durante a gestão de Luiza Bairros, encerrada no fim de 2014. A partir de 2015, quando se dedicou especificamente ao movimento de mulheres negras, esteve na construção regional da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver, que ocorreu em 2015 e levou mais de 50 mil mulheres de todas as regiões do país a Brasília. Como resultado direto da Marcha, Mônica Oliveira ocupou-se da criação da Rede de Mulheres Negras em Pernambuco, em 2016, organização que atua em constante parceria com outros coletivos e organizações, reunindo cerca de 80 mulheres militantes, com idades entre 17 e 75 anos, que avançam com atuações diretas em seus territórios de moradia.                                    

Liderança e mulheres negraGarantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis são algumas das metas globais do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 – Igualdade de Gênero. No Brasil, a ONU Mulheres apoia a participação política de mulheres em todos os espaços de poder, formais e não formais, garantindo a sua diversidade e o fortalecimento dos movimentos de mulheres negras, indígenas, ciganas, com deficiência, rurais, LBTIs e jovens.  

 

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