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A ONU Mulheres é a organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.

Brasil

“Aprendi o meu valor”: participante do Uma Vitória Leva à Outra revela lições aprendidas no programa da ONU Mulheres



16.05.2022


Maria Luisa é aluna do Módulo de Enfrentamento à Violência contra Meninas e Mulheres. Foto: Fabricio Menicucci 

 

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Maria Luisa é aluna do Módulo de Enfrentamento à Violência contra Meninas e Mulheres. Foto: Fabricio Menicucci

 

O sorriso estampado no rosto reforça o relato:  “A Maria Luísa que chegou aqui era muito tímida, insegura, com a autoestima baixa. A Maria Luísa de agora é alguém segura, inteligente, que sabe do próprio potencial e que vai crescer muito.. Maria Luísa Oliveira Coelho hoje tem 16 anos e uma trajetória que vem construindo de mãos dadas com o esporte e o empoderamento. Moradora da Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, ela participa desde 2019 do programa Uma Vitória Leva à Outra (UVLO), iniciativa conjunta da ONU Mulheres e do Comitê Olímpico Internacional em parceria com a OnG Empodera.  

A jovem sempre gostou de esportes e foi uma criança muito ativa. Ela conheceu o UVLO por meio do boca-a-boca em sua comunidade, principalmente entre as meninas e mães de outras beneficiárias. Entrar no programa a possibilitou se conectar ainda mais com o universo esportivo, ampliando o seu conhecimento sobre diversas modalidades. As que ela mais gosta são vôlei e dança de salão.  

Um dos principais pilares do programa UVLO é usar o esporte como ferramenta para empoderar meninas e jovens mulheres. Nele, meninas em situação de vulnerabilidade têm acesso a práticas esportivas combinadas com oficinas de habilidades para a vida. Depois de participar do Módulo Fundamentos em 2019, Maria Luísa voltou ao programa para ser jovem líder em 2020, quando prestou monitoria na etapa online do programa e ajudou na entrega de cestas básicas durante a vigência das medidas de isolamento social decorrentes da pandemia da Covid-19. Em 2022, com o retorno das atividades presenciais, ela integrou o Módulo de Enfrentamento à Violência contra Meninas e Mulheres, que aprofundou temas ligados à prevenção e à eliminação da violência de gênero.  

O objetivo do módulo é tornar as participantes mais preparadas para identificar e romper com os ciclos de violência de gênero. As jovens aprendem, por exemplo, a identificar os diversos tipos de violência que existem e quais são os mecanismos de denúncia e apoio para que saiam – ou ajudem outras meninas a sair – da situação de violência. Elas tomam ciência, também, de como não normalizar nem reproduzir formas de violências, promovendo mudanças concretas de crenças e comportamento.  

“É preciso entender quais as violências que existem para poder estar mais ligada se algo acontecer com a gente, saber o que fazer pra enfrentar essa situação, mas também para a gente mesma não reproduzir essas violências”, explica Ivana Vagenin, facilitadora do programa. 

Os aprendizados vividos por meio do programa  Uma Vitória Leva à Outra ultrapassam suas fronteiras e ganham a comunidade onde está inserido. Sua metodologia, que entende que os processos educacionais são dialógicos e integrados, faz com que as reflexões nele experimentadas promovam uma real transformação nos pensamentos e posturas das  jovens. Mudanças de atitude que elas carregarão por toda vida, gerando impacto em seu entorno.  

Como a própria Maria Luísa afirma, projetos como o UVLO trazem esperança e oportunidade para meninas e mulheres de territórios em situação de vulnerabilidade. Com ele, as meninas conseguem driblar a dura realidade de invisibilidade por parte do Estado para as populações de baixa renda, além de renovar as energias e forças da juventude para lutar por um futuro melhor, para si e para toda sua comunidade. “A gente se sente muito mais capaz para fazer as coisas”, reforça a participante. 

A jovem é uma entusiasta do programa. Os aspectos que ela mais destaca do UVLO são os aprendizados e o acolhimento, especialmente por parte das facilitadoras, sempre muito cuidadosas e respeitosas com as beneficiárias. “Aqui eu me sinto eu mesma. É incrível”, relata. Essa abordagem de acolhimento por parte das facilitadoras é uma das bases da metodologia do programa UVLO e colabora para a criação de espaços física e emocionalmente seguros, de confiança, a partir dos quais as meninas podem desenvolver seu máximo potencial e têm a melhor apreensão do currículo proposto.  

A partir dessa relação próxima, de afeto, respeito e admiração, todas as profissionais envolvidas no programa são referências para as jovens. Não à toa, Maria Luísa nutre o desejo de se tornar facilitadora do projeto e seguir empoderando outras meninas. Assim como experimenta em sua vida os efeitos positivos do programa, ela deseja que outras tantas adolescentes vivam o mesmo. Por isso, divulga o projeto para todas que conhece, seja para as amigas da escola ou por meio do seu perfil no Instagram.  

Quando as referências são pensadas no universo do esporte, Maria Luísa se espelha na ginasta Rebeca Andrade, que é uma das modelos de referência do Uma Vitória Leva à Outra. A atleta é sua grande inspiração de persistência e bravura. A admiração passa também pela coragem da ginasta de levar o funk para o mundo – como a trilha sonora da música “Baile de Favela” em sua histórica apresentação nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021 – ajudando a desmistificar a visão negativa que se tem sobre esse gênero musical.  

A perspectiva de vida que o programa proporciona também foca em reflexões sobre o futuro e a carreira profissional das jovens beneficiárias Na construção dela, Maria Luísa deseja cursar Química Industrial e Cosmetologia. Ela já trabalha como maquiadora e sonha em ter seus próprios cosméticos. Além disso, quer entrar para Química na Marinha do Brasil.  

Entre todos os ganhos trazidos pelo UVLO, o maior, para a jovem, está em sua autoestima. “Eu acho que meu maior aprendizado aqui foi o meu valor. Foi quem eu sou, quem eu posso ser, quem eu vou me tornar. Tudo o que eu estou aprendendo aqui vai agregar muito para o meu futuro”, reflete. Pensando nisso, Maria Luísa deixa um recado para todas as jovens meninas: “Acreditem no seu potencial!”.