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25.09.2017 - Kenia Maria participa de debate sobre o papel dos homens para o empoderamento das mulheres


Kenia Maria participa de debate sobre o papel dos homens para o empoderamento das mulheres /

Defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil, Kenia Maria, destacou a necessidade da desconstrução do racismo e do machismo nas empresas  

A Defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil, Kenia Maria, participou de bate-papo, promovido pela ONU Mulheres, o Google e a Promundo, no dia 14/9, em São Paulo. O objetivo da atividade foi destacar a atuação dos homens para a equidade de gênero e raça nas empresas e o empoderamento das mulheres. Kenia Maria salientou que o racismo e o machismo impõem desafios para as mulheres negras, bem como para a população negra em geral, no mercado formal de trabalho. “Mesmo quando são qualificados e conseguem entrar nas empresas, elas e eles não têm acesso às mesmas oportunidades de desenvolvimento que são destinadas às pessoas brancas. Ocupam postos com salários mais baixos e sem poder de decisão”, considera.

Minoria nas empresas

A situação revelada pela defensora está nos dados do Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil, publicado em 2016. Ainda que sejam 51,9% da população economicamente ativa do país, os negros e negras são apenas 35,7% de funcionários e funcionárias de empresas. A medida que se analisa posições mais elevadas, a presença de negros cai drasticamente sendo 25,9% nos cargos de supervisão, 6,3%, na gerência, 4,7% no quadro executivo e 4,9% nos conselhos de administração. Mulheres negras executivas são apenas 0,4% nas 500 maiores empresas do país.

Os dados refletem também a perpetuação do racismo institucional, que impõe condições precárias para o desenvolvimento da população negra no mercado de trabalho, bem como em outros espaços de decisão. “O racismo precisa ser desconstruído  pois impede que negros e negras estejam que ascendam profissionalmente e ocupem cargos de liderança”, destaca Kenia Maria.

 

Atitude para inclusão

Para a defensora, o combate ao racismo e ao machismo passa por compreender os diferentes papéis que as pessoas exercem na vida, como seres humanos. Ela considera que esse tema precisa ser amplamente debatido nas empresas. “O machismo e o racismo ainda estão impregnados na cultura organizacional. Existem dados que revelam isso. Então é papel desses setores incentivar que mulheres e negros ocupem postos com salários melhores e posição de comando. É preciso atitude das empresas para incluir as mulheres negras, além de identificar e não tolerar o assédio moral e sexual”, aponta defensora da ONU Mulheres.

Kenia Maria incentiva que os homens se integrem num movimento verdadeiro e se responsabilizem pelos cuidados domésticos e exerçam paternidade ativa. “Quando os homens são aliados, eles assumem tarefas relacionadas ao cuidado. E as mulheres têm mais chance de se dedicar às suas profissões, por exemplo. Apoiá-las nesse campo é empoderá-las e os homens têm um papel decisivo nesse aspecto”, conclui Kenia.

A ação foi desenvolvida no âmbito do movimento #ElesPorElas, numa parceria entre ONU Mulheres, Google e Promundo. Contou com a participação do ator e ativista Érico Brás; da CEO da LatAm Airlines, Claudia Sander; do presidente e CEO da Promundo, Gary Baker; do presidente da Fundação Gol de Letra, Raí Oliveira; e do presidente do Google Brasil, Fábio Coelho.