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26.03.2015 - Lideranças empresariais discutem Princípios de Empoderamento das Mulheres


Encontro promovido pela Rede Brasileira do Pacto Global e ONU Mulheres reúne signatárias dos Women’s Empowerment Principles no País

por Júlia Tavares,  da Rede Brasileira do Pacto Global

Lideranças empresariais discutem Princípios de Empoderamento das Mulheres/

Empresas signatárias dos Princípios de Empoderamento das Mulheres querem alavancar a igualdade de gênero no mundo dos negócios
Foto: Ricardo Jayme/ONU Mulheres

Economias fortes, sociedades mais justas, respeito aos direitos humanos e à qualidade de vida de mulheres, homens, famílias e comunidades. Para a ONU Mulheres e o Pacto Global da ONU, esses objetivos podem ser impulsionados com o fortalecimento da liderança das mulheres no ambiente de trabalho e na cadeia produtiva das empresas. Esse é o objetivo dos WEPs – Women’s Empowerment Principles (Princípios de Empoderamento das Mulheres), uma iniciativa conjunta das duas entidades que apresenta sete diretrizes para alavancar a igualdade de gênero no mundo dos negócios.

No dia 24 de março, em São Paulo, o Encontro Weps Brasil reuniu pela primeira vez cerca de 60 representantes de empresas brasileiras signatárias da iniciativa. No país, 63 empresas já aderiram à proposta e outras nove estão na etapa final de formalização do engajamento. No mundo, mais de 900 corporações já aderiraram ao WEPs.

Durante o evento, realizado pela Rede Brasileira do Pacto Global e pela ONU Mulheres – que se comprometeram com a difusão dos WEPs no País -, executivas e executivos apresentaram os principais avanços a partir da adesão à iniciativa. Para Denise Hills, vice-presidente da Rede Brasileira do Pacto Global e superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco, as experiências mostram que é possível aumentar a participação feminina em cargos de liderança. “É uma questão de equilíbrio. Temos que ver como uma oportunidade para incorporar visões e talentos à gestão das empresas”, disse.

Para Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, o setor corporativo é chave para o enfrentamento da desigualdade de gênero. “Iniciativas como o WEPs são uma forma de operacionalizar os compromissos internacionais assumidos pelas nações. Temos muito o que fazer em parceria com a sociedade”, afirmou. A representante destacou que, especialmente no caso brasileiro, onde as mulheres negras recebem 50% dos salários das mulheres brancas, o racismo é um desafio a mais. “Sem essa relação direta, é difícil avançar”.

Lideranças empresariais discutem Princípios de Empoderamento das Mulheres/

Excecutivas e executivos reforçarão ações para aumentar o empoderamento das mulheres
Foto: Ricardo Jayme/ONU Mulheres

No país, as mulheres ganham em torno de 79% do rendimento recebido pelos homens, conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, de 2013. De acordo com o International Business Report 2014, 47% das empresas não possuem mulheres em cargos de diretoria ou presidência.

Casos práticosO primeiro princípio WEPs, que prevê o compromisso da alta liderança para a equidade de gênero, foi abordado por Pedro Melo, presidente da KPMG. Ele apresentou o estudo internacional Conquistando corações e mentes – como os CEOs discutem a paridade de gênero (Winning hearts and minds: How CEOs talk about gender parity), de 2014. Segundo a pesquisa, os melhores resultados aconteceram quando o tema foi tratado como uma motivação pessoal por parte do CEO.

KPMG, Ernst &Young, Talenses e Dow são algumas das 11 empresas que hoje integram a Aliança para o Empoderamento das Mulheres, criada em 2011. O grupo se aprofunda nos princípios 1, 4 e 7 do WEPs, relacionados à educação e desenvolvimento profissional para as mulheres e à criação de indicadores para documentar os progressos da companhia na promoção da igualdade de gênero. Integrante da Aliança, a professora associada do Insper Regina Madalozzo apresentou métricas de performance e potencial que permitem impulsionar todos os princípios.

Luis Cirihal, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios na Dow, contou que a participação na Aliança para o Empoderamento das Mulheres já incentivou medidas práticas como a flexibilização da jornada e a autorização para um dia de trabalho remoto por semana para homens e mulheres, como relatou. “O ser humano não abraça mudanças, sempre é algo difícil. É preciso consciência para identificar e alterar padrões”, reconheceu ele.

Andrea Weickert, que há dez anos se tornou a primeira mulher no board da Ernst & Young, apresentou um programa criado em 2013 para o incentivo ao empreendedorismo feminino junto a fornecedores na cadeia de valor. A empresa desenvolveu um programa de mentoria específico para as mulheres.

Lideranças empresariais discutem Princípios de Empoderamento das Mulheres/

Margareth Groeff expõe os compromissos da Itaipu Binacional com a igualdade de gênero
Foto: Ricardo Jayme/ONU Mulheres

Margareth Groff, diretora financeira da Itaipu Binacional, compartilhou as conquistas da empresa a partir do lançamento de uma política de ação de gênero lançada em 2011, que rendeu à empresa o prêmio WEPs Leadership em 2013. As diretrizes atendem aos sete Princípios de Empoderamento das Mulheres e também buscam combater a pobreza entre mulheres no Brasil e no Paraguai. Em 2014, a Itaipu Binacional lançou o Prêmio WEPs Brasil, que reconheceu 20 empresas de pequeno, médio e grande porte.

O último painel com executivos foi moderado por Heloísa Covolan, coordenadora do Grupo Temático de Direitos Humanos e Trabalho da Rede Brasileira do Pacto Global e gerente de responsabilidade social da Itaipu Binacional. Patricia Molino, sócia da KPMG, disse que as mulheres podem e devem “sonhar alto”. Rodrigo Vianna, diretor da Talenses, ressaltou a importância do envolvimento dos homens com a temática.

Novos signatários - O Encontro WEPs Brasil também destacou recentes adesões de três novas companhias aos Princípios de Empoderamento das Mulheres: Grupo Boticário, Whirpool e Renault. Em comum, elas esperam que os WEPs potencializem ações já desenvolvidas na área de gênero.

Malu Nunes, gerente de Sustentabilidade do Grupo Boticário, disse que a empresa criou uma escala para atingir todos os princípios. Segundo Luciana Gilles, gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Renault, já está em curso um plano para aumentar a participação de mulheres entre colaboradores por meio de políticas de recursos humanos e recrutamento. A Whirlpool já promove ações de geração de renda para mulheres de comunidades vulneráveis por meio do Consulado da Mulher, como relatou Paulino Hashimoto, gerente de Cultura e Valores.

Papel dos governos - Como políticas públicas podem acelerar a equidade de gênero no mundo do trabalho? A experiência do governo brasileiro foi abordada por Simone Sarita Schaffer, representante da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ela detalhou o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, criado em 2005 com apoio da Organização Internacional do Trabalho e da ONU Mulheres. Atualmente, 83 organizações participam do programa, que cria mecanismos para implementar ações de longo prazo nas áreas de gestão de pessoas e cultura organizacional. “As organizações aprovadas recebem o selo Pró-Equidade de Gênero e Raça”, explicou Simone.

No encerramento do encontro, a diretora executiva da Rede Brasileira do Pacto Global, Renata Seabra, relembrou que a adesão aos WEPs facilitará o alcance de resultados concretos na área de equidade de gênero. Para ela, esse compromisso será cada vez mais cobrado com a definição pela Assembleia Geral da ONU, em setembro, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o novo conjunto de metas da organização até 2030.

Conheça os WEPs – Women’s Empowerment Principles (Princípios de Empoderamento das Mulheres)

1. Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível;
2. Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação;
3. Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa;
4. Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres;
5. Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing;
6. Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social;
7. Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.