Quase metade das mulheres e meninas do mundo não conta com proteção legal contra violência digital
18.11.2025
Campanha dos 16 Dias de Ativismo da ONU Mulheres exige um mundo em que a tecnologia seja uma força para a igualdade, não para o dano.
Nova York, 18 de novembro de 2025
O mundo digital prometeu conexão e empoderamento. No entanto, para milhões de mulheres e meninas, tornou-se um espaço de violência. A violência digital se dissemina em velocidade alarmante, impulsionada por inteligência artificial, anonimato e ausência de leis eficazes e de responsabilização. Hoje, ela se manifesta em todas as partes da internet, desde assédio e perseguição online até doxing, compartilhamento não consensual de imagens, deepfakes e desinformação, usados como armas para silenciar, constranger e intimidar mulheres e meninas.
Segundo dados do Banco Mundial, menos de 40% dos países possuem leis que protegem mulheres contra assédio ou perseguição online. Isso deixa 44 % das mulheres e meninas do mundo, 1,8 bilhão de pessoas, sem acesso a proteção legal.
Mulheres em posições de liderança, negócios e política enfrentam deepfakes, campanhas de assédio coordenado e desinformação de gênero criadas para afastá-las das plataformas e da vida pública. Em todo o mundo, uma em cada quatro mulheres jornalistas relata receber ameaças online de violência física, incluindo ameaças de morte.
“O que começa online não fica online. A violência digital transborda para a vida real, espalha medo, silencia vozes e, nos piores casos, leva à violência física e ao feminicídio”, afirmou a Diretora Executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous. “As leis precisam evoluir com a tecnologia para garantir que a justiça proteja as mulheres tanto no ambiente virtual quanto fora dele. Proteções legais fracas deixam milhões de mulheres e meninas vulneráveis enquanto perpetradores agem com impunidade. Isso é inaceitável. Por meio da nossa campanha dos 21 Dias de Ativismo, a ONU Mulheres defende um mundo em que a tecnologia sirva à igualdade, não ao dano.”
As denúncias de abuso e violência digital seguem baixas, os sistemas de justiça não estão preparados e as plataformas de tecnologia enfrentam pouca responsabilização. O crescimento do abuso gerado por inteligência artificial aprofundou ainda mais a impunidade além de fronteiras e plataformas. Ainda assim, há sinais de progresso. As legislações começam a evoluir para enfrentar os desafios da mudança tecnológica, como o Online Safety Act do Reino Unido, a Lei Olimpia no México, o Online Safety Act na Austrália e o Digital Services Act da União Europeia. Em 2025, 117 países relataram esforços para enfrentar a violência digital, mas ainda de forma fragmentada diante de um desafio transnacional.
A ONU Mulheres faz um chamado por:
• Cooperação global para garantir que plataformas digitais e ferramentas de IA atendam a padrões de segurança e ética.
• Apoio a sobreviventes de violência digital, com financiamento para organizações de direitos das mulheres.
• Responsabilização de perpetradores por meio de melhores leis e da sua aplicação.
• Compromisso das empresas de tecnologia para contratar mais mulheres, criar espaços online mais seguros, remover rapidamente conteúdos nocivos e responder adequadamente às denúncias de abuso.
• Investimentos em prevenção e transformação cultural, com alfabetização digital e capacitações sobre segurança online para mulheres e meninas, além de programas que enfrentem culturas tóxicas no ambiente digital.
A militância feminista impulsionou o reconhecimento global da violência digital como uma ameaça aos direitos humanos fundamentais das mulheres, o que resultou em maior priorização e ação por parte dos países. No entanto, o espaço cívico em retração, somado a cortes de financiamento sem precedentes e retrocessos contra movimentos feministas, ameaça prejudicar décadas de avanços. Nesse contexto, iniciativas como o programa ACT to End Violence against Women and Girls, financiado pela União Europeia, são mais importantes do que nunca para apoiar movimentos feministas na busca por justiça.
A campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres deste ano faz um apelo urgente por ações globais para reduzir as lacunas legais e responsabilizar perpetradores e plataformas digitais. Para apoiar governos e formuladores de políticas, a ONU Mulheres lança duas novas ferramentas: o Suplemento ao Manual de Legislação sobre Violência contra as Mulheres sobre violência facilitada por tecnologia contra mulheres e meninas e o Guia para a Polícia sobre Enfrentamento da Violência Facilitada por Tecnologia, que complementa orientações anteriores para forças policiais no atendimento a mulheres e meninas vítimas de violência. As ferramentas oferecem diretrizes práticas de prevenção e resposta. Enquanto o espaço digital não for seguro para todas as mulheres e meninas, a igualdade plena seguirá fora de alcance em todas as esferas.
Para consultas da imprensa, entre em contato com a equipe de mídia da ONU Mulheres em imprensa.br@unwomen.org
Sobre a campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres
Os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres são uma campanha global liderada pela ONU Mulheres no âmbito da iniciativa UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A campanha ocorre todos os anos entre 25 de novembro e 10 de dezembro, conectando o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres e o Dia dos Direitos Humanos. No Brasil, a sociedade de civil e as organizações de mulheres concordaram em começar as mobilizações ainda mais cedo, a partir do dia 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra
Em 2025, a campanha foca no enfrentamento à violência digital contra todas as mulheres e meninas, uma das formas de abuso que mais cresce no mundo. A violência digital inclui assédio online, perseguição, desinformação de gênero, deepfakes e compartilhamento não consensual de imagens íntimas, todas em rápida expansão com os avanços tecnológicos.
A campanha UNA-SE de 2025 conclama governos, empresas de tecnologia e comunidades a agir imediatamente para fortalecer leis, acabar com a impunidade e responsabilizar plataformas digitais. Também exige investimentos contínuos em prevenção, alfabetização digital e serviços centrados nas sobreviventes. Além disso, pede apoio de longo prazo a organizações de direitos das mulheres que lideram esforços para tornar os espaços digitais seguros e inclusivos para todas.
Sobre o ACT
O programa Advocacy, Coalition Building and Transformative Feminist Action, ACT, é um compromisso transformador entre a Comissão Europeia e a ONU Mulheres como co-líderes da Ação Coalizional sobre Violência de Gênero, em colaboração com o Fundo Fiduciário da ONU pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A agenda compartilhada do ACT eleva prioridades e amplifica as vozes de movimentos feministas de direitos das mulheres, oferecendo um marco colaborativo focado em prioridades, estratégias e ações comuns.