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A ONU Mulheres é a organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.

Brasil

Há 50 anos, mulheres são sobrerrepresentadas nas mortes por Ebola



22.05.2026


A história nos mostrou repetidamente que as mulheres têm mais probabilidade de morrer durante um surto de Ebola do que os homens. Isso não acontece porque a doença é mais letal para as mulheres uma vez infectadas. É porque as mulheres têm mais probabilidade de serem infectadas em primeiro lugar.

Isso ficou evidente durante o surto de Ebola de 2018–2019 na República Democrática do Congo (RDC), onde mulheres e meninas representaram cerca de dois terços dos casos reportados. Vimos o mesmo na Libéria em 2014, onde, em algumas comunidades, mulheres representaram até três quartos das mortes por Ebola; e 50 anos atrás na RDC, onde mulheres representaram 56% das pessoas que morreram.

E certamente veremos o mesmo padrão emergir no surto atual na RDC e em Uganda, que ocorre enquanto a RDC já enfrenta uma crise humanitária severa e uma pressão imensa sobre os serviços de saúde.

Por quê? Porque a transmissão do Ebola segue realidades sociais. O vírus se espalha ao longo das linhas de cuidado, trabalho doméstico, trabalho de saúde na linha de frente e práticas funerárias.

Porque quando as pessoas adoecem, são as mulheres que cuidam delas.

Mulheres são as mães, tias e irmãs que cuidam das crianças. São as filhas que cuidam dos idosos. São enfermeiras e auxiliares de limpeza em alas hospitalares, e parteiras que ajudam mulheres a dar à luz. Mulheres também são as que cuidam dos entes queridos na morte, preparando seus corpos para o sepultamento.

Essas responsabilidades existem na divisão do trabalho dentro de lares e comunidades, e colocam as mulheres em contato físico próximo durante as fases infecciosas da doença.

Mulheres grávidas enfrentam riscos adicionais porque têm contato mais frequente com serviços de saúde. Relatos históricos sugerem que, quando mulheres contraem Ebola durante a gravidez, há aumento de mortalidade e morbidade, e uma taxa de quase 100% de desfechos adversos na gestação.

Também sabemos, por emergências de saúde anteriores, que quando comunidades entram em quarentena, mulheres e meninas enfrentam riscos maiores de violência de gênero.

Em um momento em que cortes no financiamento humanitário estão enfraquecendo os sistemas de saúde e proteção na linha de frente, a ONU Mulheres pede financiamento sustentado e flexível para organizações lideradas por mulheres, para que possam continuar seu trabalho salvavidas na proteção de comunidades, no combate à desinformação e no apoio a práticas seguras de cuidado.

Também pedimos apoio financeiro ampliado para programas de atenção primária à saúde que atendam às necessidades de mulheres e meninas. Isso inclui garantir que as mulheres tenham acesso a equipamentos de proteção individual e suprimentos de prevenção, além de treinamento em atividades comunitárias de conscientização e prevenção do Ebola. Esses são investimentos essenciais em detecção precoce, cuidado seguro e resiliência comunitária.

As mulheres devem ter oportunidades de participar de forma significativa na tomada de decisões e na implementação da resposta. Dados desagregados por sexo, idade e deficiência são essenciais para melhor adaptar essas intervenções.

A ONU Mulheres está presente nos países afetados pelo Ebola, trabalhando ao lado de governos, do sistema das Nações Unidas e de organizações de mulheres para apoiar seu trabalho e garantir que as mulheres estejam envolvidas na tomada de decisões nos esforços de prevenção e recuperação.