Scorecard: ONU Mulheres lança ferramenta inédita para medir integração de gênero nas políticas climáticas
07.11.2025
Durante a COP 30, em Belém, a ONU Mulheres e o Instituto Kaschak lançam o Gender Equality and Climate Policy Scorecard, uma nova ferramenta global que mede o quanto os países estão incorporando a igualdade de gênero em suas políticas climáticas. A iniciativa oferece o primeiro quadro de referência internacional para avaliar a dimensão de gênero nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) – os planos que orientam a ação de cada país para cumprir o Acordo de Paris.
O Scorecard analisa como governos estão enfrentando desigualdades de gênero por meio de seis dimensões:
- segurança econômica,
- trabalho de cuidado não remunerado,
- saúde,
- violência de gênero,
- participação e liderança das mulheres,
- e transversalização de gênero nas políticas públicas.
Nesta primeira edição, foram avaliadas 32 NDCs apresentadas até setembro de 2025. O Scorecard traz evidências concretas de que integrar gênero à ação climática não é apenas uma questão de justiça, mas de eficácia. Quando as políticas climáticas incluem as mulheres em toda a sua diversidade, os resultados são mais duradouros, equitativos e transformadores.
Avanços e lacunas
Entre os países avaliados, 26 incluem ao menos um compromisso com igualdade de gênero, mas apenas dez adotam uma abordagem abrangente, com ações em cinco ou seis dimensões. A maioria das medidas se concentra em adaptação (38%) e políticas transversais (36%), enquanto mitigação (23%) e perdas e danos (3%) ainda recebem pouca atenção.
A análise mostra que a segurança econômica das mulheres é o tema mais abordado, com compromissos para ampliar o acesso a empregos verdes, tecnologias e financiamento climático. Questões como violência de gênero e saúde ainda aparecem de forma limitada nas políticas nacionais. Além disso, poucos países preveem orçamento próprio para implementar ações de gênero, e muitas dessas medidas dependem de cooperação internacional e assistência oficial ao desenvolvimento.
Apesar das lacunas, a tendência é positiva: cada vez mais países reconhecem que a transição ecológica deve ser justa e incluir as mulheres como agentes centrais das soluções. O Scorecard também revela um crescimento de estruturas institucionais voltadas à integração de gênero nos processos climáticos – 45% dos países incluem seus mecanismos nacionais de políticas para mulheres em instâncias de coordenação climática.
Ferramenta de acompanhamento e responsabilidade
O Scorecard faz parte do relatório “Progress of the World’s Women” e será atualizado conforme novos planos climáticos forem submetidos. Em 2026, a ferramenta passará a oferecer uma base de dados global e pública sobre políticas climáticas sensíveis a gênero, servindo de referência para governos, movimentos feministas e organizações da sociedade civil.
Para a ONU Mulheres, o instrumento marca um passo decisivo na construção de mecanismos de responsabilização e transparência, capazes de mostrar onde os países estão avançando – e onde ainda precisam agir.
Lançamento durante a COP 30
O lançamento do Scorecard acontece no evento paralelo “Ação climática com perspectiva de gênero: acelerando a implementação do Acordo de Paris”, realizado no pavilhão do Governo da Libéria, em 20 de novembro. O debate reunirá governos, juventudes, sociedade civil e especialistas para discutir como a igualdade de gênero precisa estar integrada no cumprimento das metas climáticas globais.